Publicado em: Jornal ESTADO DE MINAS | Coluna Minas em Foco
Por Marta Vieira | 07 de março de 2018

 Balões tecnológicos para monitoramento, defesa e segurança, óleo e gás e agronegócio

Nem café, nem minério ou aço. Inovação esperada em Minas Gerais neste ano vem de um setor que desponta no admirável mundo novo da tecnologia e por isso mesmo tem projetos tão disputados, a indústria aeroespacial. Minas vai abrigar uma segunda sede da ALTAVE, de São José dos Campos (SP), fabricante de aeróstatos cativos, nome técnico dos veículos aéreos mais leves que o ar ancorados no solo, popularmente conhecido como balões. Usados para monitoramento e radiocomunicações, equipados com câmeras de alta definição, eles são capazes de varrer grandes áreas em 360 graus.

Nas Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, esses balões foram avistados no Maracanã, nos bairros cariocas da Barra da Tijuca, Copacabana e Deodoro. Os planos para uma produção mineira a partir de 2018 encontraram terreno fértil, como informa à coluna os sócios da ALTAVE, Bruno Avena e Leonardo Nogueira. “Minas é um estado estratégico da economia e mão de obra competente. Estamos animados para fazer do estado um polo mundial de veículos mais leves que o ar”.

A empresa tem foco, neste momento, em balões equipados com câmeras capazes de filmar dia e noite e assim melhorar o monitoramento em tempo real de grandes áreas de forma contínua. As demandas vão do monitoramento de fronteiras, estradas, presídios, barragens, reservatórios de hidrelétricas, reservas minerais a fazendas de eucalipto e cana-de-açúcar, entre outros segmentos. A localização da nova sede ainda está em estudo e o investimento sob sigilo.

O estado foi incluído no planejamento da indústria de São José dos Campos depois do aporte recebido do Fundo Aerotec, dirigido ao setor aeroespacial e operado pela Confrapar, uma das maiores investidoras em empresas de tecnologia por meio de fundos de participação, contando hoje com R$ 300 milhões em ativos sob sua gestão. Um dos cotistas do Aerotec é a Companhia de desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). O fundo, executado por meio da Codemig e a iniciativa privada, tem por tarefa estimular a diversificação da economia de Minas, com ênfase em projetos de alta tecnologia.

O diretor de Fomento à Indústria de Alta Tecnologia da Codemig, Ricardo Toledo, diz que o investimento da ALTAVE é estratégico para o estado, como informa a Confrapar. “Entendemos que a vinda da sede e da fábrica da ALTAVE para o Triângulo Mineiro trará grandes benefícios, tais como a geração de empregos qualificados, desenvolvimento da indústria aeroespacial e fortalecimento da cadeia de fornecedores no estado.”

Criada em 2011 por engenheiros que estudaram no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a ALTAVE está abrigada no parque tecnológico de São José dos Campos (SP) e se transformou na única indústria no Hemisfério Sul de aeróstatos cativos. Os balões atendem aos variados ramos de vigilância, monitoramento e telecomunicações demandados por clientes das áreas de defesa, segurança pública, óleo e gás, agronegócio, monitoramento ambiental, mineração e construção. Além de vender esses equipamentos, ela presta o serviço de operação deles.

Com o investimento, a ALTAVE tem planos, ainda, de fincar os pés na América Latina, Europa e Oriente Médio por meio de parcerias com empresas locais. Foi com esse modelo que ela passou a atuar na França, onde conta com um distribuidor local – a Airstar Aerospace, que desde julho de 2017 representa o balão brasileiro ‘White Hawk’ no mercado europeu.

Fonte: Jornal ESTADO DE MINAS