Publicado em: Agência FAPESP | Pesquisa para Inovação
05 de Julho de 2016

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O aparato de segurança dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro inclui 13 câmeras embarcadas em quatro balões que, a cerca de 200 metros de altura, monitorarão a área ao redor dos locais onde ocorrerão os jogos.

Os balões, desenvolvidos pela Altave Indústria, Comércio e Exportação, de São José dos Campos, com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP, foram adquiridos pela Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (Sesge) depois de vencer concorrência da qual participaram a americana Boeing e o grupo francês Sagem.

Os balões desenvolvidos pela Altave podem ser utilizados em missões como prover sensoriamento de áreas de fronteira, links de comunicação, acesso a banda larga, entre outras soluções. Com esse portfólio, a Altave prospectou vários mercados, como empresas de telecomunicações, Forças Armadas e as polícias Militar e municipal.

“Conhecendo as vantagens de custos desses veículos e o fato de empresas de poucos países estarem trabalhando nessa área, escolhemos esse nicho”, justifica Bruno Avena de Azevedo, sócio da empresa.

Muitos dos contatos iniciais com esse mercado foram propiciados pela rede de ex-alunos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), onde Avena e o sócio Leonardo Mendes Nogueira fizeram o curso de Engenharia Aeronáutica. “Usamos o privilégio da formação para gerar diferencial competitivo”, sublinha. Além disso, ambos marcam presença em feiras, principalmente na Futurecom e nas de Defesa e Segurança promovidas pela Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), com apoio da Apex Brasil.

Avena reconhece que o setor aeronáutico oferece “barreiras” para uma startup em função dos altos custos, certificações longas e custosas. Antes dos balões – ou aerostátos –, eles chegaram a pensar em produzir veículos aéreos não tripulados (VANTs), mas desistiram por temer que a falta de marco regulatório causasse problemas. Então, durante um estágio de mestrado no Nasa Jet Propulsion Laboratory, descobriram que balões e dirigíveis poderiam ser um caminho.

Mas, para uma ideia inovadora vingar, Avena ressalva, não basta que ela seja “sofisticada”. “Para gerar resultados é preciso ou fazer algo com um custo menor comparado com alternativas disponíveis, ou algo que não exista no mercado, mas que os clientes estejam dispostos a pagar.”

Para reduzir riscos de fracasso, é preciso um bom plano de negócios. “O plano de negócios no contexto de uma startup e, em particular para um projeto PIPE, é fundamental para determinar requisitos do produto ou serviço a ser desenvolvido. É o plano de negócio que mostra quais características devem ser desenvolvidas e em que ordem de prioridade, para que o cliente esteja disposto a comprar”, aconselha.

Avena e Nogueira inicialmente fizeram o plano de negócio sozinhos. Depois, contaram com a ajuda de investidores-anjos. “Hoje temos uma estratégia bem definida para os próximos cinco anos, que prevê capturar valor com os produtos já existentes e construir valor com o desenvolvimento de novos produtos com potencial disruptivo. Produtos diferentes para mercados diferentes possibilitam ter um modelo de receita complementar e evitar problemas de caixa, o que pode ocorrer quando os produtos no portfólio são vendidos de forma esporádica”, disse Avena.

A Altave contou com o apoio do PIPE nas fases 1, 2 e 3. “A fase 1 serve para amadurecer a ideia e, por meio de uma prova de conceito, ter certeza de que vale a pena o investimento de tempo e de recursos públicos”, resume Avena. A empresa conclui a fase 2 e, provavelmente em julho, concluirá a fase 3.

“Foi possível realizá-las quase simultaneamente devido aos resultados que obtivemos na fase 1 e durante o intervalo entre a fase 1 e fase 2. Nessa época tínhamos um protótipo de balão cativo tático para vigilância que já havíamos colocado em diversas demonstrações para clientes, o que permitiu traçar um plano para transformá-lo em uma versão comercializável”, disse.

Avena recomenda que, além dos recursos do PIPE, é importante que as startups busquem recursos complementares para, por exemplo, financiar a equipe. “Um erro comum é a prestação de serviços ou exercício de outras atividades que afastam o empreendedor do core business e dos objetivos do projeto. Empreender é uma atividade suficientemente arriscada para permitir que parcela do tempo do empreendedor seja direcionada a atividades que não se agregam ao negócio.”

“Sugiro que, desde o início, a empresa traga um investidor para o negócio de modo a não perder o timing do negócio. Alternativamente, às vezes é possível segmentar o produto em subprodutos, de modo a iniciar a obtenção de receitas em estágios iniciais do projeto, mas sem com isso desviar do foco”, disse.

Vídeo sobre tecnologia desenvolvida pela Altave:

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Fonte: Agência FAPESP