Publicado em: Revista Tecnologia & Defesa
Por Roberto Caiafa | 11 de dezembro de 2018

No começo do mês de dezembro, Jungmann, empreendeu uma longa viagem multinacional de contatos em Cooperação Mútua de Defesa e temas correlatos, especialmente quanto a inserção da Base Industrial de Defesa brasileira como fornecedora de material, suprimentos e serviços no Oriente Médio e região. ©ROBERTO CAIAFA
No começo do mês de dezembro corrente, o ministro da Defesa do Brasil, Raul Jungmann, empreendeu uma longa viagem multinacional de contatos em Cooperação Mútua de Defesa e temas correlatos, especialmente quanto a inserção da Base Industrial de Defesa brasileira como fornecedora de material, suprimentos e serviços no Oriente Médio e região.

Também acompanharam a comitiva ministerial representantes de 14 empresas da base industrial de defesa, que têm como missão divulgar produtos nacionais, fortalecer as relações já existentes e abrir outros mercados.

Em maio deste ano, durante a LAAD – Feira Internacional de Defesa e Segurança -, Tunísia e Brasil assinaram uma declaração de intenções que prevê a cooperação entre as forças armadas de ambos os países, nas áreas de ensino, medicina operativa, programas sociais e operações de paz. ©ROBERTO CAIAFA
Em uma breve passagem por Túnis, na Tunísia, a caminho da Jordânia, Jungmann foi recebido pelo secretário das Relações Exteriores, Sabri Bachtobji, pelo chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, Mohamed Hajjem, e pela embaixadora do Brasil, Márcia Maro da Silva. Os dois países discutiram áreas de cooperação nos setores de indústria de defesa e proteção de fronteiras.

Na parada seguinte, a Jordânia, governada pelo rei Abdullah II, Aqaba foi a cidade escolhida para o encontro entre Jungmann e o monarca jordaniano. Foram discutidos temas em comum, a boa relação diplomática entre Brasil e Jordânia, iniciada em 1949, e o ministro brasileiro informou ao rei que, no próximo ano, deverá ser indicado um adido de defesa não residente para o país.

Ainda na Jordânia, Jungmann, reuniu-se com o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, James Mattis, que estava no País participando de uma conferência sobre a prevenção ao extremismo violento no oeste da África.

Mattis e Jungmann: Durante a conversa com o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Jungmann falou do estreitamento da relação entre Brasil e Estados Unidos após a promoção dos Diálogos da Indústria de Defesa, realizados em Brasília, em setembro de 2016, e em Washington, em setembro de 2017. ©ROBERTO CAIAFA
Na pauta do encontro entre Jungmann e Mattis, as preocupações e desafios comum aos dois países e a possibilidade de uma cooperação bilateral. O ministro brasileiro também abordou a criação da Iniciativa Sul-Americana de Segurança, que deverá realizar sua primeira reunião na Argentina, no início de 2018.

Na parada seguinte, o Catar, Raul Jungmann foi recebido pelo emir do Catar, o xeque Tamim bin Hamad Al Thani. No encontro foi discutido o fortalecimento da cooperação bilateral e a parceria no desenvolvimento de projetos estratégicos setoriais.

Brasil e Catar estabeleceram relações diplomáticas em 1974. Após vinte anos de contatos meramente formais, pontilhados por visitas privadas de altas autoridades, o Catar passou a demonstrar interesse crescente em aprofundar seus vínculos com o Brasil.

No início da reunião, Jungmann e o xeque Tamim bin Hamad Al Thani fizeram breves considerações sobre as visões estratégicas dos dois países. Em seguida, o ministro destacou as prioridades geoestratégicas do Brasil, focadas no incremento da cooperação com as nações amigas de todo o mundo. “Mais do que uma relação de compra e venda, queremos estabelecer parcerias, para que todos saiam ganhando”, disse o ministro. ©ROBERTO CAIAFA
Além do emir, Jungmann também foi recebido pelo primeiro-ministro, o xeque Abdullah bin Nasser bin Khalifa Al Thani, e pelo ministro da Defesa, Khalid bin Mohamed Al Attiyah. Nessas reuniões, o ministro Raul Jungmann esteve acompanhado do chefe de Assuntos Estratégicos do Ministério da Defesa, brigadeiro Alvani Adão da Silva.

Na parada seguinte, Abu Dhabi, Jungmann reuniu-se com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi e vice-comandante supremo das Forças Armadas, Mohammed bin Zayed Al Nahyan. A aproximação com o Brasil tem caráter estratégico, em relação à diversificação de fornecedores de material de Defesa.

O encontro fortaleceu o incentivo a negócios na área da indústria de defesa, como aquisição de produtos e estabelecimento de parcerias industriais – sistemas terrestres e navais.

Jungmann foi recebido pelo ministro da Defesa, Mohammed bin Ahmed Al Bowardi.
©ROBERTO CAIAFA
O ministro da Defesa brasileiro esteve com representantes da base industrial de defesa local, e juntos visitaram a empresa Yahsat, uma fábrica de satélites e equipamentos de comunicação, do grupo Mubadala, e em seguida, a comitiva seguiu para o parque Industrial Tawazun.

A seguir, Jungmann foi recebido pelo ministro da Defesa, Mohammed bin Ahmed Al Bowardi, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Internacional, Abdullah bin Zayed bin Sultan Al Nahyan.

Entre os interesses em comum debatidos estão as possibilidades de investimentos e aquisição de produtos brasileiros como o KC-390 e Astros 20-20 MK-6; de intercâmbio de soluções para vigilância de áreas terrestres – SISFRON; e da participação no desenvolvimento da Corveta Classe Tamandaré.

Está em tramitação no Congresso projeto de lei que abre crédito especial para capitalização da Emgepron em R$ 500 milhões, para início da construção das corvetas classe “Tamandaré” (CCT). ©ROBERTO CAIAFA
No encerramento da visita, foi feito o convite para que os EAU participem da LAAD 2019.

A relação Brasil e Emirados Árabes Unidos

Em outubro deste ano, foi realizada a primeira reunião do comitê bilateral de temas de defesa, em Brasília. Após o encontro, foi definida uma ata com pontos de ação relacionados ao intercâmbio acadêmico e visitas às unidades militares.

Entre as possibilidades discutidas estão vagas em curso de Estado-Maior nos Emirados Árabes e a visita de uma delegação brasileira com o objetivo de conhecer instituições militares e empresas de defesa dos EAU.

Em 2014, durante uma visita do xeique Mohammed Bin Rashed Al Maktoum, vice-presidente, primeiro-ministro e ministro da Defesa dos EAU e emir de Dubai, foi assinado acordo de cooperação na área de defesa, o primeiro do tipo assinado pelo Brasil com um país do Oriente Médio.

Os EAU são, atualmente, importante entreposto comercial, “hub” logístico e centro de negócios. Hoje, aproximadamente 30 empresas brasileiras contam com escritórios comerciais no país, utilizando-o como plataforma para suas exportações na região.

A Agência de Promoção das Exportações e Investimentos (APEX-Brasil) mantém um escritório em Jebel Ali, zona franca de Dubai, para auxiliar empresas brasileiras que pretendam se estabelecer nos Emirados.

Os investimentos bilaterais tem assumido, também, papel cada vez mais relevante, impulsionando o desenvolvimento de ambos os países. O estoque de investimentos emiráticos no Brasil é de aproximadamente US$ 5 bilhões.

Os Emirados, por intermédio da empresa Calidus, desenvolvem com a brasileira Novaer,a aeronave B250 Bader, que se encontra em fase de certificação.

O Bader B-250 é um avião dos EAU, e tem como mercados iniciais as Forças dos Emirados Árabes Unidos, e seus aliados e clientes mais próximos. O projeto é do Joseph Kovacs/NOVAER, a empresa brasileira em 25 meses desenvolveu e colocou para voar dois protótipos, por encomenda da Calidus LLC, empresa que comprou o projeto. ©ROBERTO CAIAFA

Fonte: Revista Tecnologia & Defesa