Publicado em: Valor Econômico | Especial Internet das coisas
Por Françoise Terzian | 23 de dezembro de 2016

Parcerias ampliam projetos de startups
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Um caminho irreversível e trilionário. Assim os especialistas mundiais definem a internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) e a internet das coisas industrial (IIoT). O mercado de IoT deve crescer de um base instalada de 15,4 bilhões de dispositivos móveis (2015) para 30,7 bilhões (2020) e 75,4 bilhões (2025), segundo a IHS Markit que estuda esse cenário. Já a General Electric (GE) prevê um investimento industrial no IIoT de US$ 60 trilhões nos próximos 15 anos.

Obter dados mais precisos e rápidos a um custo muito menor é uma das vantagens da IoT, uma combinação de aplicações com serviços de transmissão de dados que começam a avançar no mundo com a ajuda das startups. Além das grandes desenvolvedoras e integradoras de tecnologia e operadoras de telecom que têm despertado para essa oportunidade de negócios, há uma série de empresas novas e pequenas, mas inovadoras e com alto potencial de crescimento, fazendo história nessa área.

Muitas com projetos-piloto e casos bem sucedidos nas áreas de utilities (luz, água, gás), agronegócio, hospitalar e setor automotivo. Frank Meylan, sócio da KPMG, conta que há projetos em estudo nos quais os sensores instalados no veículo mandam, com o consentimento do motorista, informações para as seguradoras sobre a forma de dirigir. Esse novo olhar pode mudar, no futuro, a forma como são definidos os valores do seguro.

Dois exemplos de startups brasileiras em destaque na área são a Altave e a Greenant. A primeira, nasceu em 2011, em São José dos Campos (SP), na incubadora de empresas do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), pelas mãos de dois formandos em engenharia aeronáutica, em 2010.

Por ser especializada em monitoramento e telecomunicações para grandes áreas, a Altave chamou atenção durante a Olimpíada pelo uso de seus quatro balões cativos (aeronaves não tripuladas), responsáveis pelo monitoramento aéreo da segurança da Rio 2016, com imagens das grandes áreas em 360 graus, de forma simultânea e em alta resolução.

Com 25 funcionários, a empresa faturou R$ 23 milhões em 2015 ante os R$ 200 mil de 2014. Uma de suas áreas de atuação hoje é o agronegócio, que sofre com problemas de conectividade no campo e a dificuldade em usar voz e dados. No momento, tem quatro projetos-piloto nessa área.

É possível, por exemplo, detectar incêndios e auxiliar na agricultura de precisão. “Com o balão dotado de um equipamento de telecom embarcado, é possível capturar dados de sensores no campo que medem, por exemplo, a umidade do solo, e retransmitir essas informações em tempo real para a nuvem”, conta Bruno Avena, diretor da Altave.

Uma das parceiras da Altave é a PromonLogicalis, provedora de serviços e soluções de tecnologia da informação e comunicação na América Latina. “Somos parceiros em sete startups que trabalham hoje com IoT”, conta Lucas Pinz, diretor de tecnologia da empresa.

Esse tipo de proximidade aumenta as possibilidades de conquista de clientes e oferta de soluções completas. Com a Altave, Pinz conta que foi desenvolvido um projeto para um grande produtor de etanol que planta cana-de-açúcar e demandava conectividade aos seus maquinários agrícolas e sensores de campo. Ao invés de construir uma torre de celular, o balão da Altave foi escolhido para levar conectividade a um custo cinco vezes menor.

A PromonLogicalis também tem parceria com a startup GreenAnt, que desenvolve medição de energia inteligente. Ela surgiu formalmente em 2013, quando Pedro Bittencourt e Raphael Guimarães, ambos engenheiros pela PUC, decidiram resolver um problema que consideravam fundamental na eficiência energética, que é a falta de informação do consumidor final de energia.

“Uma analogia é você imaginar um supermercado sem preço nas prateleiras e, no final, você tem que pagar o carrinho cheio, sem saber quanto custou cada item. Isso impossibilita o consumo racional”, explica Bittencourt. Energia elétrica, diz, funciona assim.

A startup desenvolveu um software de inteligência artificial que, a partir da medição de energia da unidade consumidora, consegue reconhecer alguns padrões e calcular o consumo dos equipamentos que utilizados. Todo o processamento roda online em um sistema em nuvem. Hoje, a GreenAnt tem 150 clientes e a meta de chegar a 1.000 no próximo ano.

Fonte: Valor Econômico – Especial Internet das coisas